Caso Neylton: vigilantes são condenados a 14 anos de prisão
O julgamento dos ex-vigilantes Josemar dos Santos e
Jair Barbosa da Conceição, acusados de matar o servidor Neylton Souto da
Silveira em janeiro de 2007, terminou na madrugada deste sábado (18)
com o anúncio da setença. Os vigilantes foram condenados a 14 anos de
prisão pelo assassinato do servidor da Secretaria Municipal de Saúde.
Os dois acusados, que irão recorrer da decisão,
devem continuar em liberdade até que a Justiça decida se mantém a
sentença. O Ministério Público pretende pedir a reabertura do inquérito
para investigar quem mandou matar Neylton. "Nós esperamos, diante do
que nós já temos, que os autores intelectuais desse crime venham
também a julgamento", disse o promotor Davi Gallo.
Durante os dois dias de julsgamento, testemunhas e
os dois réus foram ouvidos. A delegada que investigou o caso, Dilma
Nunes, foi a primeira das 13 testemunhas a ser ouvida e negou que tenha
acontecido tortura. "Eu cheguei na delegacia, logo passei a
interrogá-lo e ele tava tranquilo, passou tranquilamente as
informações", garantiu Nunes.
O promotor do caso, Davi Gallo, apresentou também um
vídeo em que Josemar supostamente confessa o crime, ao ser ouvido pelo
delegado Ricardo Gomes Barbosa, que esteve entre as testemunhas de
acusação ouvidas no primeiro dia.
Os advogados de defesa alegaram que o depoimento não
podia ser considerado válido por ter sido feito sem a presença do MP.
Neylton era subcoordenador da contabilidade da SMS.

Jair e Josemar foram denunciados pelo Ministério Público estadual (Foto: Arquivo CORREIO)
O julgamento foi presidido pelo juiz Cássio Miranda, e atuaram na acusação os promotores de Justiça Davi Gallo Barouh, Antônio Luciano Assis e Cássio Marcelo de Melo.
Crime e mandantes
Neylton foi encontrado morto dentro das dependências da SMS, no Comércio, com marcas de estrangulamento e espancamento. Ele era subcoordenador de contabilidade e trabalhava no setor de pagamentos das empresas que prestavam serviços à prefeitura.
Investigações encontraram irregularidades em vários
contratos, com desvios de dinheiro público que chegaram a R$ 80
milhões. O MP chegou a acusar a ex-subsecretária municipal de saúde
Aglaé Souza e a consultora técnica Tânia Pedroso como mandantes do
crime, mas as duas foram excluídas do processo pela Justiça.
Apesar do Ministério Público apontar a hipótese de
que Neylton foi morto porque sabia de possíveis improbidades
administrativas dentro do secretaria, o que caracterizaria uma "queima
de arquivo", a ex-subsecretária e da ex-consultora financeira, foram
retiradas do processo também por falta de provas.
"Estamos coletando novos fatos, novos dados que
podem permitir que elas sejam reincluídas. Há uma documentação que será
apresentada. Do ponto de vista prático e técnico, afirmaria que há 70%
de chance", ressalta Gallo.

0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial